Sunday, 21/04/2019

Copersucar, o Fórmula 1 nacional (parte II)

Não sei todos sabem, mas o Brasil já teve uma Equipe de Fórmula 1, com Fitttipaldi de piloto e patrocinado pela SKOL.

Copersucar, o Fórmula 1 nacional (parte II)

Depois do ano de estreia da Copersucar-Fittipaldi em 1976, marcando míseros três pontos, nossa trajetória nos dois anos seguintes até que foi muito boa. Em 1977 marcamos 11 pontos, cortesia dos meus três quartos lugares e um quinto lugar, e em 1978 marcamos 17 pontos, com destaque para um fantástico segundo lugar, quando fui derrotado só pela Ferrari de Carlos Reutemann no Rio de Janeiro.

Em 1979 não conseguimos acompanhar os rápidos avanços das outras equipes (Ligier, Williams e Renault) com uso do efeito-solo. Mas, para ser justo, outras equipes haviam sofrido de forma similar – até a poderosa Lotus, apesar de ter sido ela quem inventou esse “truque”.

Em 1980, tudo começou a melhorar. Fomos renomeados Skol-Fittipaldi em deferência ao novo patrocinador. Meu companheiro de equipe era um jovem finlandês chamado Keke Rosberg, que já estava muito rápido e se tornaria campeão pela Williams só dois anos depois.

Nosso engenheiro-chefe era Harvey Postlethwaite, que projetou carros vencedores para a March, a Hes-keth e a Wolf, e ainda trabalharia com distinção para a Tyrrell, a Sauber e até para a Ferrari. E, por último, mas longe de menos importante, Harvey nos contratou um jovem aerodinamicista do Imperial College de Londres chamado Adrian Newey. E ele também se provou muito bom desde então.

O primeiro carro de Harvey na equipe Skol-Fittipaldi foi o F8, que estreou no GP da Alemanha de 1980, em Hockenheim. Apesar do fato de não termos testado o carro corretamente – eu fiz um shakedown rápido na Snetterton, mas foi tudo – Keke o qualificou no P8 e eu o classifiquei no P12. Nenhum de nós terminou a corrida – Keke abandonou com um rolamento quebrado e a minha corrida terminou por falha nos freios – mas ficou claro que a verdadeira promessa estava lá.

Embora a mídia especializada brasileira tenha compreendido a enormidade dessa tarefa na qual havíamos embarcado, quando o resultado nos decepcionou, como a todos os brasileiros, a cobertura da imprensa foi brutal. Eles nos chamaram de “fracasso brasileiro” e coisas do tipo. No fim, a Skol não aguentou a pressão e caiu fora.

Embora eu ainda tivesse apenas 33 anos, me aposentei como piloto de Fórmula 1 para me concentrar em tentar gerenciar a equipe. Keke continuou como nosso principal piloto, acompanhado por Chico Serra, um jovem e muito promissor piloto brasileiro. Mas no final nossa tarefa se revelou impossível. A Skol nos deixou, como já expliquei, a Williams conseguiu nos tirar o Keke e Harvey foi atraído para a Ferrari. Eu compreendi as decisões deles de sair, é claro, embora tenham ne deixado muito triste

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Receba as novidades da Conebel

Trabalhe Conosco